Precisamos falar sobre gordofobia.

Muitos dizem não existir, até o word não reconheceu e grifou em vermelho. Como sugestão: Gordo fobia. Até nesse momento, o gordo tá sozinho.

Eu sinto muito, eu sinto tanto. Por mim, por você, por todos nós que precisamos provar para as pessoas que temos muitas qualidades, pra que nossos quilos a mais sejam perdoados, pra que assim possamos nos enquadrar naquele grupo de amigos.

Eu sinto muito. Por mim, por você, por todos nós que precisamos nos tornar aceitáveis perante essa sociedade que diz que o bonito mesmo é ser magro.

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Eu sinto muito. Por mim, por você, por todas as mulheres gordas que são classificadas como pantufas (pantufa= termo usado pra classificar a mulher gorda que é gostosa, mas só dentro de casa. Apresentar pra família e amigos, NUNCA).

Tá legal, vocês já entenderam que eu sinto muito, eu sinto tanto, por tantas coisas. Eu sinto pelas pessoas que não encontram roupas do tamanho, eu sinto por aquelas que não conseguem emprego, pelas crianças que são ensinadas a ter preconceito com o que não é igual, por aquelas que precisam fazer tudo certo pra que o peso não influencie sobre seus atos.  Porque temos a fama de que gordo faz tudo errado, que gordo só fala de comida, que gordo se esforça mais na hora do sexo do que uma pessoa magra, como se precisássemos provar algo. Rola quase que uma condição, se você é gordo, precisa ser bom em todo resto.

As pessoas querem motivos pra namorar uma pessoa gorda, elas não querem apenas conhecer alguém legal, levar ao barzinho, tomar uma cerveja e conversar sobre aquele seriado que os dois gostam. E ninguém está afim de fazer caridade, não é mesmo?

A grande maioria quer alguém pra exibir por aí, quase que como um carro alegórico, todo bonito, brilhante, chamando atenção de todos.

Essas são algumas frases que ouvimos quase que diariamente.

” Tens um rosto lindo, por que não emagrece?”

“Você sabe que ser gordo não é saudável, né?”

“Cuidado. Diabete, pressão alta, triglicerídeos…”

“Cara, ela é linda, inteligente, sabe conversar sobre qualquer coisa. Só tem um problema. É gorda!”

Eu sempre fui gorda, e sempre fui vista de forma diferente, muitas vezes eu nem fui notada, passei despercebida em meio a multidão. Não que eu ligue, mas eu sou só mais uma. Só mais uma pessoa que ninguém tem vontade de dizer que quer conhecer melhor, sou só mais uma gorda com problemas de auto estima. Sabe que uma vez eu até contruí um muro, bem alto, me fechei dentro daquele lugar e nada parecia me abalar. Deixei que pulassem o muro, mas não era pra uma visita comum, a pessoa veio e derrubou e eu me vi exposta novamente. Sem proteção mais uma vez, não consigo por uma roupa e me sentir bem, e não é só em uma, em todas.

O jeito como meu peito fica quando eu estou sem sutiã, quando minha barriga fica mais saliente em uma roupa mais justa, quando eu coloco uma camisa e não posso fechar os botões na parte de cima, são infinitas as coisas que me incomodam.

O mais doloroso disso tudo, não é nem ser apontado pelos outros e sim conseguir se aceitar somente depois que os outros te aceitam.

É um processo lento, cansativo e dolorido.

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