Hoje acordei sentindo falta de alguma coisa, mas a frase “Eu vou sobreviver” ecoa na minha cabeça. Mesmo assim, abri meus olhos, sentei na cama e dobrei meu corpo com as mãos na cabeça, mas tomei a coragem necessária pra enfrentar o dia. Fiz meu café e acendi meu companheiro, sentada naquela cadeira, que fica na lavanderia, lembra? Organizei meus pensamentos. Hoje é mais um dia ou menos um? Fiquei na duvida.

Sabe… Poderíamos ter uma pílula do dia seguinte pra amores que não deram certo né? Que ela tivesse o efeito de não deixar qualquer sentimento de perda se manifestar na gente, isso seria ótimo. Poderíamos controlar as coisas dessa forma, mas também haveria uma consequência, penso eu. Os amores seriam mais rasos, ficaria mais fácil viver um amor intenso e depois apaga-lo. Talvez essa seja uma péssima ideia. Deixa pra lá.

Tomei quase um litro de café, pra aguentar o trabalho. Minha noite foi agitada, dormi aos poucos. Talvez porque eu não  tenha trocado os lençóis da cama, teu cheiro ainda está lá. Vou anotar aqui, essa é uma tarefa urgente pra hoje.

A decisão de não te ter mais por perto foi difícil, e na verdade eu não sei se desejo que sinta minha falta, eu queria que sentisse, mas ao mesmo tempo não. É, acho que sou bipolar.

De todos os amores que tive (quem lê assim, pensa que tive muitos) você foi o que mais me fez bem. Foi com quem vivi coisas boas, não tivemos brigas, realmente foram só coisas boas. Talvez porque tenha sido pouco tempo, né?
Foi, mas valeu. Eu deixei de viver tudo isso por medo do futuro e ainda assim eu tinha esperança de que quando eu te dissesse que não podia levar isso em frente, você diria pra ficar ou algo do tipo. Não se sinta mal, você fez o certo em não me pedir pra ficar, porque eu ficaria e me magoaria muito mais.

Sabe a sensação de estar sobrevivendo? Eu estou com isso hoje. Saí do trabalho e fiz a mesma coisa de sempre. Com esse calor infernal senti minha pele queimando naquele sol que mais parecia de cinquenta graus, pelo amor de Deus. Passei no posto, sentei na mesa e tomei uma água, comprei meu maço de cigarros e vim pra casa. Fiz o de sempre e sentei na minha vaga cativa na lavanderia. Esquentei o café, maldito seja o café que me faz lembrar, escutei aquela música “nossa”.

Subi no terraço pra por a roupa no varal, acabei indo até o parapeito para observar o movimento e pegar um vento no rosto, na tentativa de que o mesmo levasse com ele toda essa confusão que se instalou em mim. Novamente veio você na cabeça, pois lembrei de como me abraçava quando íamos ali. Será que não vou poder nem ir ali por a roupa pra secar?

A saudade vai bater, inúmeras vezes, eu sei. Mas como tudo na vida, isso também tem um prazo e relaxa, eu vou sobreviver. 

Musica para traduzir o sentimento de hoje:

 

Imagem: Pinterest

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