Eu não sabia o que estava acontecendo, meu corpo doía, minha mente nunca ficava em silêncio. Eu lutava quase que diariamente pra entender tudo que eu estava sentindo, era novo e muito doloroso. Meu corpo reagia de formas inesperadas, eu já não conseguia controlar. Havia perdido o controle dele e da minha vida. Continuei tentando, tinham pessoas que continuavam remando comigo, eu ainda não me sentia sozinha, ainda…

Esperei a solidão chegar, como um animal na espreita. Abri a porta do quarto e ela se instalou nas minhas paredes, no teto. Revestiu meu quarto em um tom escuro e cada dia mais me afundava, era quase que uma areia movediça, cada vez que eu me mexia, ela me engolia, mais e mais.

A primeira onda de tristeza real que me invadiu foi quando eu perdi o cara que amava, havia transformado ele em um pilar de sustentação, desabou. Eu me perdi um pouco, mas ainda tentava prosseguir, não seria o fim do mundo. Dei chances há novas pessoas e lugares, tudo que não me fizesse lembrar, mas eu não conseguia passar um dia sequer sem pensar nele, em como fazia parte de mim, como me completava, como eramos bons juntos. Perdi de um jeito injusto e isso me tornou dura, mas não com os outros. Comigo mesma, entende? Me culpava por não ter feito tudo que podia, mas eu realmente não sabia mais o que fazer, não cabia a mim decidir mais nada.

Viajei no final de semana, deixei a brisa tocar meu rosto na beira de um lago. O vento trazia o cheiro dele e eu queria ficar sozinha.

A segunda onda de tristeza foi no domingo do final dessa semana, recebi a noticia de que meu pai, estaria morrendo aos poucos. O sentimento inicial era nulo, não queria me importar, não consegui. Me perdi mais, chorei, pensei em doar meu fígado, era tarde demais. Larguei tudo e me mandei. Vi ele, toquei na mão, agarrei, cocei as costas, ajudei tirar a blusa, beijei a testa. Sinal de carinho e respeito que eu não tinha dado durante anos, sim… Eu amava meu pai muito mais naquele momento, ele debilitado, mas continuava me olhando com os olhos esperançosos.

Uma semana…

Meu pai não aguentou, faleceu. Eu aqui de mãos atadas. Perdi meu pai, perdi a oportunidade de dar a ele uma vida melhor. Perdi o cara que mesmo com minhas birras e imperfeições, me amava.

Fui abandonada duas vezes em menos de seis meses.

Minha vida não tem mais sentido, a tristeza me invadiu completamente, minhas emoções que eram ampliadas foram reduzidas a zero. Tenho uns amigos, uma mãe maravilhosa, uma irmã que é minha vida. Quero que saibam que eu amo vocês, que esse prolema é meu, simplesmente não quero que sofram a minha dor.

Eu vou superar, vocês acreditam em mim?

Eu vou cair no choro inúmeras vezes, mas eu também vou sorrir, porque eu amo vocês. Não é nem tanto por mim, é e sempre será mais por vocês do que por mim.

Imagem: Pinterest

 

 

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