Ela dormia e acordava sonhando, não sabia quando as coisas tomariam o rumo que desejava, mas jamais parava de sonhar. Sabia que coisas que fugiam do próprio entendimento não tinham tanta importância. Aprendeu a lidar com as emoções e não tornou mais outras pessoas o centro do universo. Não buscou mais luz nos outros, encontrou a sua. Aprendeu a ser a estrela de brilho raro das canções do seu cantor predileto. Era um disparo para um coração.

 

Após anotar essas palavras em seu caderno preto de bolinhas brancas, pensou muito nas coisas que haviam acontecido, havia perdido a própria essência quando tentou viver uma vida que não era sua, havia se perdido no caminho e por muitas vezes afirmava que não saberia voltar. Sabia do seu valor e não seria agora que pararia no meio do caminho, ela era dona dela e sabia que aos poucos voltaria para onde jamais deveria ter saído.

Ao viver algo que não lhe cabia descobriu que é tão mais doloroso voltar, do que reconstruir, porque ela sabia exatamente como era todo o caminho que tinha traçado até ali. Bastava uma mala, o carro, algumas musicas e um lugar pra relembrar de como chegara até aqui. Ela voltaria independente de quais os métodos que usaria, ela voltaria, com fé e talvez até lágrimas nos olhos.

Assim que estacionou o carro na pousada, carregou a mala pra dentro e organizou as coisas. Arrumou a banheira com alguns sais de banho, como nos filmes ela havia decidido que teria uma noite digna dela. Pegou a cerveja preferida e imergiu na água. Quase afogando pelos pensamentos, ela tentava organizá-los em caixas mentais. Ali seria o seu recomeço.

Vestiu uma roupa confortável e caminhou a passos lentos até a beira da praia. Onde havia famílias e crianças brincando enquanto o sol se colocava gentilmente entre as nuvens, na esperança de encontrar respostas, sentou-se na beira, onde as ondas molhavam os pés, causando pequenos choques pelo corpo todo, logo se lembrara de um passado não tão distante.

Tinha mania de procurar a pessoa especifica em outros corpos, assim fazendo com que acabasse se encontrando no estado em que estava. Lembrou de como o amor invadiu seus poros a primeira vez, ali naquela praia. Lutava com todas as forças pra que o fantasma do ultimo namoro sumisse e pudesse lembrar-se do único e verdadeiro, que com a obra do destino havia rompido o amor de verdade não era mais tão palpável como havia sido há dois anos.

Na esperança de encontrá-lo novamente, ela caminhou de volta aos chalés, quando ouviu um som conhecido da área de camping. Um violão e uma voz rouca preenchiam cada vez mais os ouvidos, talvez estivesse delirando, ouvia a musica que havia sido a trilha sonora mais linda de sua vida.

“- Seja para mim o que você quiser, contanto que seja o meu amor-“                                                              -Maneva

Era muito fácil deixar-se levar pelo momento, mas ela andou até os acordes e lá estava ele. Sentado em um skate, tocando a musica deles, descalço, confortável como sempre em meio aos amigos. Ele cantava e sorria, como se lembrasse de algo que fizesse bem, ficou parada, imóvel apreciando o lugar de onde nunca deveria ter saído. Aproximou-se involuntariamente, até que ele notasse sua presença. E foi o que ele fez, assim como que quando sentimos o cheiro de algo, ele levantou os olhos, aqueles olhos que por muitos dias haviam sido o próprio infinito de esperança dela e em uma sintonia, os dois permaneceram imóveis por quase um minuto. Silenciosamente pedia perdão a ele, por ter fugido da verdade, mas ele estava ali, quase clamando pelo abraço tão esperado. Correu em direção, assim que ele notou o que ela pretendia, largou o violão e fez o mesmo, como em um filme, os dois se demoraram nos braços um do outro, como se quisessem eternizar aquele momento. Todos os amigos olhavam, sorriam e alguns até gritavam e batiam palmas. Enquanto ele se desfazia do abraço, ela fitava os lábios dele e contornava o rosto com as mãos, como se precisasse que seu corpo reconhecesse a pele.

 

Ali mesmo os dois selaram o reencontro com o tão esperado beijo, que prometia muito mais do que poderiam imaginar. Em um lapso, como se houvessem piscado, estavam os dois rolando em meio aos lençóis brancos.

Tocavam os rostos, analisando cada detalhe, talvez tocavam-se para ter certeza que tudo aquilo era verdade. Com os cabelos espalhados pela cama, ele agarrava as mãos dela, pra que não acabasse fugindo novamente. A intensidade era o carro chefe daqueles dois, talvez por isso ela tivesse tanto medo, mas entre um respira, ofega, inspira. Calma!

Espalma as mãos nas minhas costas.

Isso. Segura meu quadril com força.

Morde. Assim. Aperta mais.

Pode sim. Deixa marcas.

Isso! Não! Não pára!

Mais forte.

Enlaça meu cabelo nas tuas mãos.

Lento, forte e preciso. Aah! Como eu preciso.

Toca, lambe, aperta. Uhuum, sussurra.

Deus do céu!

Isso é covardia.

Arranha a barba na minha nuca. Me perco.

Não quero me achar, vou chamar por você.

Puta que pariu!

Qual meu nome mesmo?

Eles se encontraram novamente, um no outro e dessa vez, não sairiam tão cedo. O sonho de uma noite de verão se estendeu… Duas, três, quatro. Uma semana, um ano, a vida inteira.

 

Imagem: Pinterest

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